Fotografias de Caio Reisewitz no Rio
Da Redação
O Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro apresenta a partir do dia 12 de janeiro a exposição "Parece Verdade", com cerca de 50 fotografias de Caio Reisewitz. Com curadoria de Fernando Cocchiarale, a exposição ocupará as salas do segundo andar.
A mostra será uma panorâmica da trajetória de Caio Reisewitz, abrangendo os oito últimos anos da produção do artista, que rapidamente se tornou um dos mais destacados do cenário contemporâneo brasileiro. "Parece Verdade", terá oito fotografias inéditas no Brasil, das quais uma, "Guanabara", foi feita especialmente para a mostra. As fotografias, que podem medir até 2,80m por 1,95m, também representam "um panorama do deslocamento" do artista, que fotografou na capital, no interior e no litoral de São Paulo, e também no Rio de Janeiro, Pará, Goiás, Distrito Federal e Paraná. Há ainda trabalhos realizados em Cartagena das Índias, Colômbia, Frankfurt, na Alemanha, e em Ushuaia, Argentina.
A montagem será acompanhada de uma bem-cuidada publicação, com as imagens da exposição e textos de Fernando Cocchiarale, Miguel Chaia e entrevista com o artista feita por Horácio Fernandez, um dos grandes especialistas de fotografia da Espanha.
Fernando Cocchiarale observa que as fotografias feitas por Caio Reisewitz "deliberadamente não mostram quaisquer traços ou características icônicas típicas das localidades que apresenta. Caio fotografa territórios vazios, nos quais encontramos apenas os indícios de uma humanidade ausente. Um mundo desolador de rastros e vestígios, sem sujeitos e desprovido, portanto, de intensidade afetiva e existencial". "Sua poética é primeiramente visual", afirma. Cocchiarale lembra ainda de citação de Susan Sontag, para quem "as fotos são uma interpretação do mundo tanto quanto as pinturas e os desenhos".
Uma das características do trabalho de Caio Reisewitz é o interesse pela paisagem, seja a natural, com cenas da natureza, ou a construída pelo homem, como o interior de igrejas barrocas ou frios espaços dos poderes legislativo e executivo. Outra vertente na pesquisa de Caio é registrar a alteração, "ou destruição", da natureza feita pelo homem. "Exemplos disso são os trabalhos ‘Bertioga’, ‘Goiânia VII’ e ‘Itaquequecetuba’".
O título da mostra, "Parece Verdade", remete a uma dupla percepção: à ideia de que a imagem natural é tão perfeita que parece manipulada, e à representação do real. Para Caio, por mais fiel à realidade que possa ser, a fotografia é sempre uma interpretação do real. "Há um espaço entre o real e o registro do real, que é o que me interessa. Entretanto, não deixa de ser uma interpretação da realidade". Seu processo de elaboração da imagem se assemelha à construção buscada por um pintor paisagista, que trabalha a reprodução da realidade. Ele ressalta que busca, o mais possível, uma postura de neutralidade diante do que irá fotografar, para que a ação do fotógrafo seja a menos perceptível possível. O preparo da câmera é cuidadoso, leva pelo menos 15 minutos. "Uso uma forma direta, frontal, sem inserção de perspectiva ou luminosidade, de cara limpa". Para ele, é justamente essa olhada neutra que permitirá ao espectador interpretar livremente o que vê. Por outro lado, Caio afirma que é um paradoxo fotografar na natureza situações que parecem construídas – ou adulteradas – tal a perfeição estética. Ele cita como exemplos as fotografias "Sapucaí", "Butantã", "Cubatão", "Goiânia Golf Club". "As pessoas acham que houve algum truque digital, alguma montagem".
O artista fotografa tudo analogicamente em uma câmera Linhoff, de placa de negativo no formato 4 x 5 polegadas, correspondente a 9 x 12cm. Essas placas são escaneadas em altíssima resolução e ampliadas em um laboratório em Dusseldorf, Alemanha.
Caio Reisewitz nasceu em 1967, em São Paulo, onde vive e trabalha, e tem obras em importantes coleções públicas e particulares no Brasil e no exterior. Dentre as diversas mostras individuais e coletivas em que mostrou seu trabalho, Caio Reisewitz ocupou três andares da Casa de América, em Madri, durante o festival PhotoEspaña, em 2006, e participou das edições de 2005 da Bienal de Veneza – em que representou o Brasil, junto com o grupo Chelpa Ferro – e da Bienal Internacional de São Paulo. Descendente de alemães, cursou a Academia de Arte, em Mainz, Alemanha, onde também estudou na Fachobershule für Gestaltung e na Peter Behrens Schule, em Darmstadt, depois de ter estudado na Fundação Armando Álvares Penteado [FAAP], em São Paulo, em 1989. Em 2009, concluiu o mestrado na USP em poéticas visuais.
Serviço:
Caio Reisewitz – Parece Verdade
Exposição: 12 de janeiro a 07 de março
CCBB Rio de Janeiro
Rua Primeiro de Março, 66,Centro, Rio de Janeiro-RJ
Tel: 21 3808.2020
De terça a domingo das 10h às 21h
Entrada franca
www.goldenlight.biz
- Museu Afro Brasil comemora o aniversário de SP
- Palácio da Aclamação apresenta a exposição “Faustus"
- Exposição “Dez anos do Núcleo Contemporâneo” no MAM-SP
- Mostra de Iá Oberlaender na BNB
- Espetáculo infantil "Charlie e Lola" chega ao Rio
- "Theatro Musical Brazileiro" no CCBB Brasília
- Peça João e Maria faz temporada no Cacilda Becker
- Sesc Pompeia abre programação com Nana Caymmi
- Exposição “Goeldi – Luz Noturna” em Brasília
- “Os Suburbanos” estreia em São Paulo










