Palácio da Aclamação apresenta a exposição “Faustus"
Da Secretaria de Cultura da Bahia
Ossos moldados em gesso e peças de mobiliário antigo compõem a obra criada pelo artista plástico paraibano José Rufino para mostra Faustus, que será inaugurada em 19 de janeiro, às 19 horas, no Palácio da Aclamação (Campo Grande, Salvador). O site especific – modalidade de instalação na qual peças são criadas para dialogar com o meio em que estão expostas – incita uma reflexão sobre memórias e sobre o passado do próprio espaço. A exposição é promovida pela Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Dimus/IPAC/Secult - BA) e abre o calendário 2010 de mostras que irão propor um diálogo entre obras e o palácio.
Para o curador da exposição, o professor adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Marcelo Campos, a instalação se relaciona com a própria reabertura do lugar que a abriga. "Faustus sugere revitalização no sentido de trazer o público que, muitas vezes, nunca veio ao Palácio e não conhece a sua história. Ao mesmo tempo, suscita questões ligadas à memória: o que é patrimônio? O que deve ser guardado e recordado? Por que devemos preservar e lembrar?", explica.
A instalação Faustus é composta de móveis adquiridos em diversos lugares – reaproveitados e apropriados pelo próprio Rufino – que, de acordo com o artista, formam "uma quimera de pedaços de colunas de mesas, pernas e espaldares de cadeiras e adornos de camas assumindo condição de ossos, que se completa com imensas próteses de ossos de gesso". Na montagem, estão presentes representações do pé, mão, crânio e alguns ossos, que equivalem ao que seria um homem de 22 metros.
Inspirado nos desenhos do renascentista Leonardo da Vinci, José Rufino modelou os ossos e propôs a distribuição das peças nos salões do palácio, para revelar as próprias emoções e suscitar nos espectadores possíveis lembranças e memórias.
O título, um adjetivo de origem latina (faustu), que se relaciona com ostentação, luxo e magnificência, remete à suntuosidade do Palácio da Aclamação. Ao mesmo tempo, se refere à figura do Fausto, por diversas vezes retratada na literatura européia."Fausto é o personagem angustiado de Goethe e de Fernando Pessoa. Através dele, estes escritores discutiram processos de crise, reflexão e produção. No caso de Rufino, o contato com o Palácio, um lugar carregado de memórias, gerou essa inquietação, que, posteriormente, se transformou na instalação. Isso revela, também, certo cunho filosófico do trabalho", complementa o curador, Marcelo Campos.
Aliada às características de memória e repertório pessoais, marcantes nos trabalhos de Rufino, a exposição desperta a atenção para a história do Palácio da Aclamação. O artista explica que os ossos ficarão acomodados nos salões nobres, como se tivessem acabado de ser retirado do subsolo do lugar. A carga emotiva associada ao passado confunde espaço físico e obra, de modo a causar a sensação de soma e pertencimento entre elas.
No site especific, os elementos foram organizados de modo a transmitirem a sensação de uma descoberta. "Assim como a memória vem à tona de maneira desordenada, fragmentada, esse ser que surge exumado - alguém que, na metáfora, foi encontrado no Palácio e agrega todos os elementos de memória do ambiente – aflora aos pedaços", sintetiza Rufino.
Paraibano de João Pessoa, José Rufino iniciou sua carreira na década de 1980. Tendo herdado do avô paterno um acervo documental – cartas e bilhetes – que conta muito da história de sua família, ele decidiu utilizar o memorial como meio de produção artística. A forte referência familiar também é expressa em seu nome. Registrado como José Augusto Costa de Almeida, ele optou por se apresentar no universo artístico com o nome do avô, José Rufino, homenageando-o.
Em 2009, o artista integrou a mostra coletiva Saccharum BA, no Museu de Arte Moderna da Bahia, que esteve em cartaz até o final de julho, na qual expôs Cartas de Areia - uma coleção com 40 cartas. Também participou, junto com mais cinco artistas, da exposição Sertão Contemporâneo, na Caixa Cultural Salvador, entre setembro e outubro de 2009. Entre as suas mostras individuais mais recentes, figura Náusea, que teve quatro versões e foi apresentada, inclusive, em Milão, em 2009.
Além de uma intensa trajetória nas artes visuais, José Rufino é graduado em Geologia e tem mestrado e doutorado em Geociências pela Universidade Federal de Pernambuco. Na atualidade, é professor adjunto de Paleontologia da Universidade Federal da Paraíba.
Antigo Palacete dos Morais, o Palácio da Aclamação foi adquirido pelo Governo da Bahia em 1911 para ser a Residência Oficial dos Governadores do Estado, sendo definitivamente ocupado em 1917. O espaço possui acervo composto de mobiliários nos estilos D. José e Luís XV, porcelanas, cristais, bronzes, tapetes persas franceses e obras do artista baiano Presciliano Silva. Com arquitetura do final do século XIX, foi residência oficial dos governadores até 1967. A partir de 1990, depois de um amplo processo de restauração, tornou-se Palácio da Aclamação, Casa Cerimonial e Museu.
Um dos mais significativos museus casa de Salvador, possui um acervo composto de mobiliários nos estilos D. José e Luís XV, porcelanas, cristais, bronzes, tapetes persas e franceses e obras do artista baiano Presciliano Silva. Os salões de jantar, festas e reuniões, montados no início do século passado, são um retrato fiel da época. Os quartos têm camas e guarda-roupas originais e a pequena capela, instalada no segundo andar do edifício, remete ao ar de devoção católica que imperava na antiga sociedade baiana. Em suas dependências, são promovidos lançamentos literários, apresentações musicais, feiras e exposições temporárias.
Serviço:
Exposição Faustos, com José Rufino
Local: Salão Nobre do Palácio da Aclamação – Av. Sete de Setembro, 1.330, Campo Grande
Abertura 19 de janeiro de 2010, às 19h.
Visitação 20 de janeiro a 14 de março de 2010
Entrada Franca
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